Cada Lugar na Sua Coisa...





Um livro de poesia na gaveta não adianta nada

Lugar de poesia é na calçada

Lugar de quadro é na exposição

Lugar de música é no rádio


Ator se vê no palco e na televisão

O peixe é no mar

Lugar de samba enredo é no asfalto

Lugar de samba enredo é no asfalto


Aonde vai o pé, arrasta o salto

Lugar de samba enredo é no asfalto

Aonde a pé vai, se gasta a sola

Lugar de samba enredo é na escola


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O mundo parece fora do lugar o tempo todo e eu quero gritar. Minha intuição funciona, o alvo passa por mim direto. Quero viver, quero gozar, quero fazer o que tenho esperado que o outro fizesse por mim. O outro é falho e talvez esteja perigosamente se afastando. 

Quando era mais nova, todos os dias reservavam um medo do futuro. Hoje, aos 40 e alguns, o medo é de ter vivido em vão. Me escondi do amor com medo da intensidade que ele me devorava desde cedo. Hoje vejo que mais perigoso que um amor que devora é uma vida sem intensidade, sem propósito de existir. Sem afetos.

Os filhos que não tive, os filmes que não vi. Os livros que não escrevi, as árvores que não plantei. A sensação de que não existe propósito na dor e nos beijos e abraços que não dei me mata aos poucos.


Lugar de poesia é na calçada. Viver é um evento improvável e urge que aconteça agora.

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