Ontem e hoje, depois de dias sem conseguir parar de chorar profusamente, resolvi sair da toca, rumo ao extremo oposto da cidade, para me enfiar no berço de todos os meus traumas. Minha mãe ainda me oferece algum tipo de conforto, e eu, depois de 44 anos tentando resolver meus daddy issues (os reais), enfim descobri e resolvi dar essa resposta final a todo melodrama no qual estive inserida todo esse tempo: meu pai me odeia. Não que seja novidade, muito pelo contrário: se tem alguma certeza que carrego na minha vida é que meu genitor tem ranço de mim, e sempre que pode, faz questão de manifestar esse carinho reverso. Foi assim logo que precisei sair da clínica psiquiátrica (cedo e ao mesmo tempo tarde demais), quando minha família achou que seria saudável me enfiar num apartamento obscuro em uma praia em Saquarema com essas duas crianças que me colocaram no mundo. Ela, filha de oxum que teima em carregar sua doçura e sonsice que me enternece e emputece ao mesmo tempo, sempre foi a ...
Ela te mostra os melhores momentos enquanto esconde as razões pelos quais acabaram. Você navega por fotos antigas e recobra conversas passadas, e se convence de que o que já passou é melhor do que o que permanece. Mas se apegar a memórias te mantém preso entre mundos. Fisicamente aqui, mas mentalmente em momentos que não existem mais. Você está dando o seu presente a fantasmas que já seguiram em frente. A verdade mais dura é que suas lembranças são solitárias. Enquanto você analisa cada detalhe do que costumava ser, novas histórias que não te incluem foram criadas. Encontraram a paz se libertando daquilo a qual você ainda se apega. Sua mente não foi feita pra viver no passado. Ela foi feita pro agora. Pra criar novas conexões, pra se curar, pra crescer além do que já foi. As boas memórias devem te informar gentilmente do seu futuro, e não mantê-lo como refém. Deixe o passado ficar aonde deve. O hoje precisa mais de você." _________ Não é meu, mas nem preciso dizer o quanto i...
"Tem dia que a gente se sente como quem partiu ou morreu..." Tenho problemas com controle. Autocontrole, controle do entorno... estar impossibilitada ou sujeita a situações que fogem ao meu controle são gatilho de ansiedade e pânico. E ironicamente nos últimos dez anos estive fora de qualquer controle e condução, principalmente da minha própria vida. Parecia o preço a ser pago para ter um abrigo, um lugar que eu pudesse chamar de casa. As ilusões podem durar uma cota considerável de tempo, mas acabam. A absoluta falta de controle se faz presente enquanto os mitos que eu sozinha alimentei se esvaem como areia entre os dedos. E não quero mais. Mas não é um não querer libertador, é triste. Irremediavelmente triste. Esse ano podia acabar, sem acabar comigo e com os meus afetos, sejam pessoas ou sentimentos. Ao que tudo indica não vai rolar.
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